República de Moçambique
O DISTRITO · MEMÓRIA E PATRIMÓNIO

História do distrito

A história de Moamba é indissociável do caminho-de-ferro que, desde 1890, liga o porto de Maputo ao interior mineiro da África do Sul. Mas começa muito antes, com as comunidades ronga e changana dos vales do Incomáti e do Sábiè, e prolonga-se até às grandes obras hidráulicas e energéticas do presente.

Actualizado em Responsável: Administração do Distrito de MoambaEm validação
1887PRIMEIROS 80 KM DA LINHA FÉRREATroço inaugurado a 1 de Dezembro de 1887
1890O COMBOIO CHEGA A RESSANO GARCIATroço aberto a 1 de Março de 1890
1964MOAMBA ELEVADA A VILA1 de Junho de 1964
1989INAUGURAÇÃO DA BARRAGEM DE CORUMANAObras complementares concluídas em 2020 (ARA-Sul)

Poucas terras moçambicanas foram tão marcadas por uma linha férrea como o actual distrito de Moamba: antes dos carris, território de chefaturas ronga e changana; depois deles, corredor entre o oceano Índico e o planalto do ouro sul-africano.

Povoamento e comunidades

O território do actual distrito foi povoado por comunidades ronga e changana, do grupo tsonga do sul de Moçambique, organizadas em chefaturas nos vales dos rios Incomáti e Sábiè, onde a terra e a água permitiam a agricultura e a criação de gado. Dessa matriz permanecem as línguas — o xichangana continua a ser a língua materna predominante — e práticas como a festa do canhu, descritas na página Cultura e património. A origem exacta do topónimo «Moamba» não está documentada com segurança.

Paisagem de savana arborizada característica do distrito de Moamba
Fotografia ilustrativa.

O caminho-de-ferro de Lourenço Marques ao Transvaal

A descoberta de ouro no Transvaal fez da baía de Lourenço Marques o porto natural do interior sul-africano. A linha férrea que atravessa o distrito — em bitola de 1 067 milímetros — nasceu dessa corrida: as principais povoações de Moamba cresceram ao longo dos carris.

  • 1872Primeira concessão

    É atribuída a concessão inicial para uma linha férrea entre a baía de Lourenço Marques e o Transvaal.

  • 1875Acordo Portugal–Transvaal

    Portugal e o Transvaal acordam a ligação ferroviária entre o porto e o planalto mineiro.

  • 1885Início das obras

    A Delagoa Bay & East Africa Railway Company, do coronel norte-americano Edward McMurdo, inicia a construção a partir de Lourenço Marques.

  • 1887Primeiros 80 quilómetros

    A 1 de Dezembro é inaugurado o troço inicial de 80 quilómetros, atravessando as terras do actual distrito.

  • 1889Administração do Estado

    A 25 de Junho de 1889 a linha passa para a administração directa do Estado português.

  • 1890Chegada a Ressano Garcia

    A 1 de Março os carris atingem a fronteira, no lugar que viria a chamar-se Ressano Garcia.

  • 1894–1895Ligação a Pretória

    A ligação completa a Pretória abre a 2 de Novembro de 1894 e é inaugurada oficialmente a 8 de Julho de 1895, com o presidente Paul Kruger e o comissário régio António Enes.

A estação de Moamba estava prevista desde o estudo de traçado do engenheiro Joaquim José Machado (1881–1882) e foi construída depois de 1893. Em 1914 concluiu-se o ramal que partia de Moamba para Magude e Xinavane, hoje inactivo.

Quem foi Frederico Ressano Garcia

Frederico Ressano Garcia (Lisboa, c. 1846–1911), engenheiro formado na École des Ponts et Chaussées de Paris, foi deputado, par do Reino e ministro, e dirigiu a expansão de Lisboa para as Avenidas Novas. A vila fronteiriça do distrito recebeu o seu nome em homenagem.

A agricultura colonial e o colonato do Sábiè

A partir dos anos 1930 fixaram-se nos vales do Incomáti e nos arredores da Moamba pequenos agricultores europeus, dedicados aos produtos frescos, citrinos e gado para Lourenço Marques. Entre 1955 e 1974 o Estado colonial instalou o colonato do Sábiè, cuja história exige honestidade: para instalar cerca de 50 colonos — o número registado em 1972 —, foram expropriados 36 324,5 hectares, e a população africana da zona, estimada em 12 910 pessoas em 1969, foi empurrada para terras mais secas e menos férteis. Produziam-se batata — o principal produto comercial —, milho, arroz, gado bovino e leite, servidos por canais de rega e diques construídos pelo Estado. Após o 25 de Abril de 1974, o abandono das propriedades coloniais foi rápido; parte das infra-estruturas de rega então criadas está na origem dos regadios descritos na página Agricultura e pecuária.

Da independência às grandes obras

Com a independência de Moçambique, proclamada a 25 de Junho de 1975, o distrito entrou num período de profundas transformações: a seca de 1982–1983 teve efeitos devastadores em todo o sul do país, incluindo Moamba, e a guerra que assolou o país até 1992 afectou a região. Foi neste período que nasceu a barragem de Corumana, no rio Sábiè, construída entre 1983 e 1989 e em operação desde 1990. A guerra e a falta de financiamento deixaram seis comportas por montar; as obras complementares, concluídas em 2019–2020 com financiamento do Banco Mundial, elevaram a capacidade da albufeira para cerca de 1 380 milhões de metros cúbicos e permitiram abastecer de água o Grande Maputo (ARA-Sul).

A VILA DE MOAMBA

A povoação crescida em redor da estação ferroviária foi elevada a vila a 1 de Junho de 1964. É hoje a sede do distrito e dos serviços distritais, a cerca de 75 quilómetros de Maputo pela estrada nacional N4.

Património ferroviário

O distrito conserva um conjunto notável de estações históricas da linha de Ressano Garcia — Moamba, Pessene, Tenga e Ressano Garcia —, testemunhos da arquitectura ferroviária colonial; o edifício da estação de Moamba está documentado desde cerca de 1920. Este património, ainda em uso ferroviário, é um dos motivos de interesse sugeridos na página Visitar Moamba.

CIDADANIA E PARTICIPAÇÃO

A sua participação contribui para um distrito melhor.

Conheça os canais para apresentar sugestões, reclamações e pedidos de informação.

Participar
PESQUISA NO PORTAL

Como podemos ajudar?

Acessos frequentes